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Curvas da estrada

Em meu caminho muita coisa apareceu, muita coisa me chamou a atenção muita coisa ficou pra trás, algumas caminharam comigo, muitas ainda estão por vir… Ontem me pus a pensar nessas coisas, mas por não ser tão apegado a objetos e fatos acabei me concentrando no que mais me desperta o interesse de fato: pessoas.

Na vida muitas pessoas passaram por mim, algumas deixaram muitas marcas boas, outras algumas ruins, outras deixaram poucas, mas importantes marcas, e poucas não deixaram nada (espero estar deixando eu marcas boas nos outros, mesmo que poucas)… Quem me conhece sabe acredito que “o belo é conseqüência do justo”, que aprecio a reciprocidade (sem precisar da mesma intensidade), que me apaixono antes de beijar e que me jogo ao mar de águas claras de amor sem medos de águas escaldadas anteriores. Mais do que beleza, o que me atrai de verdade é um algo mais, algo ligado na maioria das vezes ao imperceptível aos olhos, não é ver uma pessoa bonita, é notar alguém interessante.

Não posso dizer que não conheci pessoas interessantes por esta estrada, longe disso, conheci muitas! A maioria era do tipo que se tem um carinho e identificação enormes, aqueles seres mágicos que chamamos de amigos, mas houve algumas que eram especialmente interessantes. Dentre essas, algumas não sabiam amar, o que com o tempo não é nada interessante… Outras eram pessoas de pouca fé, não se entregavam, diziam que por terem sofrido muito antes tomavam cuidados pra não acontecer nada agora… Estranho isso… Quando nada acontece, nada acontece, nem mesmo nada bom… Mas nem todos percebem que a dor vem pra sabermos valorizar o prazer, fazer o que? Algumas poucas pessoas eram extremamente interessantes, pessoas apaixonantes, mas não estavam interessadas, não ficaram apaixonadas. Por isso é importante a história de cuidar do seu jardim pra que borboletas venham, mas nem todas borboletas gostam do mesmo tipo de jardim, ninguém é obrigado a gostar de ninguém, compreenda, aceite e aproveite o que vier de bom nisso…

Houve uma em especial que eu tenho certeza tratar-se de uma alma gêmea (sim, acredito que temos mais de uma, mas isso é outro assunto), alguém cujas afinidades, valores e perspectivas eram simétricas… Nas poucas diferenças havia um ‘encaixe’, uma harmonia… Sobrava tudo, faltou amor, faltou o beijo, e logo uma das pessoas mais interessantes que conheci tomou distância, e é um mistério para mim como ela interpreta minhas tentativas de mantê-la por perto… Acontece que na vida devemos aproveitar esses tesouros que surgem no caminho, e se conhecemos alguém especial, de bom coração, uma pessoa boa, quem somos nós para impormos condições para que essas pessoas fiquem em nossas vidas? Devemos fazer de tudo para que fiquem, nada de ‘só se for como amiga’, ou ‘apenas se for minha amante’, fique como for, como te fizer feliz, gosto de você e quero ver teu sorriso por perto… Apenas fique por perto… E então vem à mente o pensamento sobre as curvas adiante, deixando o que passou pelo retrovisor pra trás, levando muito no banco de trás comigo… Não há um manual de como encontrar pessoas interessantes, até por que o que me interessa pode não interessar a mais ninguém, nem mesmo há uma maneira de manter as pessoas que tu encontrares em teu convívio, apenas posso desejar quatro coisas: Mantenha o coração aberto, a mente atenta, a alma preparada e boa sorte!

« Marcos Vinícius »

Não sei mais o que fazer das minhas noites durante a semana. Em relação aos finais de semana já desisti faz tempo: noites povoadas por pessoas com metade da minha idade e do meu bom senso. Nada contra adolescentes, muitos deles até são mais interessantes e vividos do que eu, mas to falando dos “fabricação em série”. Tô fora de dançar os hits das rádios e ter meu braço ou cabelo puxado por um garoto que fala tipo assim, gata, iradíssimo, tia.

Tinha me decidido a banir a palavra “balada” da minha vida e só sair de casa para jantar, ir ao cinema ou talvez um ou outro barzinho cult desses que tem aberto aos montes em bequinhos charmosos. Mas a verdade é que por mais que eu ame minhas amigas, a boa música e um bom filme, meus hormônios começaram a sentir falta de uma boa barba pra se esfregar.

Já tentei paquerar em cafés e livrarias, não deu muito certo, as pessoas olham sempre pra mim com aquela cara de “tô no meu mundo, fique no seu”. Tentei aquelas festinhas que amigos fazem e que sempre te animam a pensar “se são meus amigos, logo, devem ter amigos interessantes”. Infelizmente essas festinhas são cheias de casais e um ou outro esquisito desesperado pra achar alguém só porque os amigos estão todos acompanhados. To fora de gente desesperada, ainda que eu seja quase uma.

Baladas playbas com garotas prontas para um casamento e rapazes que exibem a chave do Audi to mais do que fora, baladas playbas com garotas praianas hippye-chique que falam com voz entre o fresco e o nasalado (elas misturam o desejo de serem meigas com o desejo de serem manos com o desejo de serem patos) e rapazes garoto propaganda Adidas com cabelinho playmobil também to fora.

O que sobra então? Barzinhos de MPB? Nem pensar. Até gosto da música, mas rapazes que fogem do trânsito para bares abarrotados, bebem discutindo a melhor bunda da firma e depois choram “tristeza não tem fim, felicidade sim” no ombro do amigo, têm grandes chances de ser aquele tipo que se acha super descolado só porque tirou a gravata e que fala tudo metade em inglês ao estilo “quero te levar pra casa, how does it sounds?”

Foi então que descobri os muquifos eletrônicos alternativos, para dançar são uma maravilha, mas ainda que eu não seja preconceituosa com esse tipo, não estou a fim de beijar bissexuais sebosos, drogados e com brinco pelo corpo todo. To procurando o pai dos meus filhos, não uma transa bizarra.

Minha mais recente descoberta foram as baladinhas também alternativas de rock. Gente mais velha, mais bacana, roupas bacanas, jeito de falar bacana, estilo bacana, papo bacana… gente tão bacana que se basta e não acha ninguém bacana. Na praia quem é interessante além de se isolar acorda cedo, aí fica aquela sensação (verdadeira) de que só os idiotas vão à praia e às baladinhas praianas. Orkut, MSN, chats… me pergunto onde foi parar a única coisa que realmente importa e é de verdade nessa vida: a tal da química. Mas então onde Meu Deus? Onde vou encontrar gente interessante? O tempo está passando, meus ex já estão quase todos casados, minhas amigas já estão quase todas pensando no nome do bebê,… e eu? Até quando vou continuar achando todo mundo idiota demais pra mim e me sentindo a mais idiota de todos?

Foi então que eu descobri. Ele está exatamente no mesmo lugar que eu agora, pensando as mesmas coisas, com preguiça de ir nos mesmos lugares furados e ver gente boba, com a mesma dúvida entre arriscar mais uma vez e voltar pra casa vazio ou continuar embaixo do edredon lendo mais algumas páginas do seu mundo perfeito.

A verdade é que as pessoas de verdade estão em casa. Não é triste pensar que quanto mais interessante uma pessoa é, menor a chance de você vê-la andando por aí?

« Vivo ou morto. Meu reino por um homem interessante. – Tati Bernardi »

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Carta à Bernardi

Olá… Comecei dizendo ‘olá’ por não saber por onde começar, e se alguém insiste em dizer ‘comece pelo começo’, então creio que o começo seja um sorriso, aqui em palavra traduzido como ‘olá’…

Cheguei aqui por acaso, um desses casos em que vamos dobrando uma esquina da vida indo apenas comprar o pão da manhã e esbarramos com uma maravilha inesperada… É muito bom quando a vida nos prega essas peças boas pra nos fazer sorrir sem pressa de parar, e que dirá de alguém que procurava apenas atualizar o corretor ortográfico para as novas regras de sua querida língua (até um tanto relutante com isso) e acaba por deparar-se com um reflexo de seus pensamentos nas palavras de outra pessoa? Cheguei sem querer, fui querendo ficar, ficando sem quer ir, fiquei querendo mais…

Acredito que devemos reservar um pequeno tempo entre leituras, para que as idéias fixem, sejam assimiladas, digeridas. Ao refletir sobre o que lemos, concluímos coisas, tiramos proveito de algo para viver como uma pessoa modificada, na maioria das vezes melhorada pelo que lemos, tendo novas lições a aplicar no nosso caminho… Pequei em minha crença… Não consegui parar de ler teus textos! Tuas palavras me tocaram, tuas idéias entraram em minhas veias e o coração pedia mais, e eu que sempre sou equilibrado me entreguei à doce paixão do pensar a dois…

Autores não são reflexos do que escrevem (conheço quem escreva sobre o que não concorda para pensar melhor no outro lado), mas senti muita personalidade em tuas frases, senti presença, senti quase como se tu estivesses aqui lendo por cima de meu ombro, e essa presença tornou ainda mais fascinante a leitura. Por várias vezes pensei em ‘guardar um pouco para amanhã’, mas a gula da paixão falou mais alto, e salvei apenas os links para um café da manhã no dia seguinte, aquele carinho cúmplice de fazer o café baixinho pra não despertar o companheiro, e acordá-lo com o café já pronto e um beijo de bom dia bom pra tudo ficar lindo logo cedo… Ainda mantendo a analogia, enquanto penso nestas palavras é como se tivesse vendo minha amada dormindo, deitada ao meu lado, pensando na sorte de tê-la encontrado, feliz com as alegrias inesperadas do dia seguinte.

Sim, sou um tanto otimista de mais, um tanto pra cima de mais… Dou vazão ao que há de bom, entrego e não nego sentir, vai ver foi amando que aprendi a viver, e não vivendo que aprendi a amar, mas esse jeito bobo de ‘apaixonado’ surge pouquíssimas vezes sem a presença de alguém na história, por mais que eu aprecie vários tipos de arte, por mais que algumas me façam chorar, por mais que algumas me façam sorrir, por mais que me façam cantar, poucas me fazem flutuar, e ao terminar de ler teus textos é assim que estou, como quem teve primeiro encontro, deu o primeiro beijo, sorri de costas pra guria imaginando se ela vai perceber a alegria prestes a explodir…

Em resumo moça das palavras, este prolixo quer tão somente transportar um pouco da alegria que me deste para quem a gerou, transformando essa leveza em palavras, declarando por tua arte um novo amor…

De um apaixonado leitor: Obrigado e parabéns…

« Marcos Vinícius »
fui tocado por Tati Bernardi, recomendo…

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Saudade

Saudade (por Samanta Flôor)

Saudade (por Samanta Flôor)

Gosto dessa ilustradora, mas não conhecia essa charge até ver no blog de uma amiga… Recomendo!
Samanta Flôor – Cornflake blog – http://www.cornflake.com.br/cornflake/blog/

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O medo e a vida

O destino colocou em minha vida uma grande amiga a quem devo muito… Muito do que sou hoje só foi possível pelos seus conselhos e pela sua palavra amiga que ajudaram a fazer com que minha garra superasse minha timidez, e lembro dela sempre quando fico acanhado,  me dizendo com sua voz doce: “A vergonha é um tipo de medo, e os medos existem para serem enfrentados…” Grande verdade amiga!

Todos temos medos, em algum momento da vida, antes da tomada de uma decisão, antes de darmos um grande passo, antes de tomarmos uma iniciativa, ao enfrentar um grande perigo, a qualquer hora alguém treme um pouco por dentro diante de algo, e hesita mesmo que seja em uma fração de segundos. A diferença entre os corajosos e os medrosos é a atitude diante disso: todos corajosos sentem medo, mas o enfrentam.

Ao encararmos nossos próprios medos e enfrentá-los adquirimos confiança e maturidade, aprendemos com isso, hesitamos menos, evoluímos, e logo aquilo passa a não ser mais um medo. Enfrentar os medos e evoluir com isso é a única maneira de viver plenamente, superando barreiras e obstáculos… Quem evita o amor com medo de machucar ou ser machucado, evita envolver-se com medo sufocar, acaba evitando viver por medo de morrer, não vive, não ama, não se envolve… Por medo de encontrar algo pior não vive o melhor, por medo de ser triste acaba não vivendo a felicidade, por medo de encontrar a solidão não busca companhia… Não vive o melhor, não vive a felicidade e não tem companhia, o medo acaba tornando-a aquilo que ela não queria, alguém triste, que vive o pior na solidão…

Sobreviver não é o suficiente, precisamos viver, buscar, correr, voar! Não importa se caíres e quebrares a cara, levanta-te! Corra novamente! Os acertos são bons, mas são os erros que nos ensinam as lições, e com essas lições podemos compreender e vivenciar mais ainda os acertos… Ame, esse é melhor sentimento que tu poderás encontrar na vida, e não importa que seja pela pessoa errada, o sentimento ainda é o certo, claro que nos machucaremos uma vez ou outra, mas essas pancadas te farão ter uma bússola sentimental mais precisa, que aponte para alguém cujo encaixe seja próprio a ti, e não tenhas que perder tanto tempo tentando aparar arestas que tornam a crescer… Passamos pelas pessoas erradas para estamos prontos para quando aparecer a pessoa certa…

Ano passado apareceu um vídeo que traduzia um pouco disso… Era uma propaganda de carro, mas o importante é a mensagem nela contida:

Não deixe sua vida acontecer sem você, seja por medo, por preguiça, ou o que for! Ame, dê risada, abrace, ligue, declare-se… VIVA!

« Marcos Vinícius »

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Tímida

— E você, por que desvia o olhar?
(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)
— Ah. Porque eu sou tímida.

« Rita Apoena »


Descobri uma autora gaúcha (na verdade paulista, que estuda na UFRGS , e que infelizmente ainda não publicou) que é fantástica! Recomendo demais!!!
“Rita Apoena divide o quarto com uma lagartixa chamada Judith. Judith sempre volta para ouvir mais um trecho do seu livro. ‘Se o pessoal tiver o mesmo gosto da lagartixa, o meu livro vai ser um sucesso!’ ela pensa animada.”
Blog dela: http://ritaapoena.zip.net

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