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Archive for fevereiro \27\UTC 2009

Andarilho de nuvens

Eu ando pela cidade e observo suas cores, do azul intenso do céu pela manhã aos vários tons do magenta ao roxo ao final da tarde, no entanto hoje o dia foi cinza. O sol se escondeu por trás de nuvens carregadas de gotas de orvalho, mas mesmo sem vê-lo eu sabia que ele estava lá, dava pra sentir. Essa minha fé nas coisas, desde o sol no céu ao sal no mar, acreditar em viver, acreditar em sorrir, acreditar em amar… Crer que dentre tantas opções de escolha aquela que foi escolhida é a melhor, crer que realmente ela foi escolhida por mim e não que foi ela quem me escolheu, achar que a semântica faz algum sentido, achar que o sentido é obrigatório, não andar na contra-mão… Apesar de minha velocidade ser constante, uns correm mais, outros menos, mas ninguém acompanha meu pensamento ligeiro, ninguém raciocina o meu raciocino…

Eu ando pela cidade com idéias fixas sobre as pessoas que me cercam, penso em tudo que já disse e no que falta dizer para cada uma delas… Quem acha que eu amo? Quem duvida? Quem tem certeza? Como disse meu homônimo, “quem pagará o enterro e as flores se eu morrer de amores?” Quem? Quem sabe? Quem sabe talvez a cor do meu sorriso amarelo quando eu rio é a cor da vontade de chorar? Quem sabe que meu hábito de esquecer só não é maior que a vontade de lembrar? Quem sabe que eu prefiro calar a dizer algo da boca pra fora, mas que prefiro botar pra fora o que dentro não quer calar? Apenas eu e mais ninguém? Apenas todos e não eu? Em que curva dessa estrada foi que o cuidado comigo mesmo escapou pela tangente? Em que rodovia interpessoal o cuidado com terceiros tomou carona e veio parar na direção? Em que esquina eu te encontrei? Em que encruzilhada eu me perdi? Eu preciso responder isso ou o simples questionar já mantém minha mente sã? Quem te deu o cargo de minha espiã?

Eu ando pela cidade devorando a estrada com meus próprios pés… Vejo prédios surgirem diante de meus olhos, vejo demolirem hotéis, vejo obras faraônicas sobre um gelo fino, vejo pontes que não conectam os dois lados, vejo casas sobre a rocha firme, vejo mais do que há pra ver, vejo além do que se crê, vejo até meus olhos cansarem de tanto enxergar, vejo portas fechadas e janelas abertas até onde a vista alcançar… Vejo que a praça onde eu cresci já não é a mesma, vejo que a menina que me sorria já cresceu, vejo um mundo inteiro de coisas diferentes, o único que permanece o mesmo sou eu, ou não, visto que mudei em pontos cruciais, mas realmente a muito sou o mesmo, em meus princípios e digitais… Talvez se eu não sorrisse tanto, talvez se eu me importasse menos, talvez se eu não enxugasse o pranto, talvez se eu me importasse com problemas pequenos, aí quem sabe eu não seria tão alto astral, não me apegaria facilmente, criaria meus próprios problemas e não saberia ir em frente, mas acontece que eu não sou de aço, sou água, terra, fogo e ar, acontece que eu não sou de ferro, e até o ferro pode enferrujar… E se minha ilha se curvasse, será que você a dobraria? Se eu fosse mesmo diferente, sabe lá como eu seria…

Eu ando pela cidade vencendo cruzamentos e ganhando esquinas, chegando a lugares que antes eu não ia, e a cada novo canto onde ponho os pés sinto mais saudade do mar que eu conhecia… Noutra cidade, outro tempo, outro ano, tudo tão diferente, todas tão iguais, procuro entre rostos e bocas, olhos e olhares, tentando visualizar o que há por trás, por trás das palavras, dos gestos e beijos, quem não ache que é sofrer amar de mais… Então volto ao teu colo pedindo carinho, com os olhos turvos d’água e a boca seca de paixão, pois tu noiva do sol é quem me cativa o peito sozinho, é aquela que canta em meu coração, canta com os ventos de agosto e as chuvas de fevereiro, canta com os mares encantadores de janeiro a janeiro, e repousando em teu colo te digo meu anjo, serei seu sempre por inteiro…

Ando pela cidade e paro de pensar nas paisagens, volto meu pensamento para a mesma idéia, para a mesma imagem… Será que alguém verá sentido nesse pensamento? Será que entenderão que não há o que entender nessas palavras? Que apenas caminhei nesta tarde olhando o firmamento, o mesmo céu que olharam várias vidas passadas, em noites passadas, noites passadas em branco, e que esses devaneios sem sentido são o reflexos das nuvens enquanto ando…

« Marcos Vinícius »

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Envolvente

Busca (por Marcos Vinícius)

Busca (por Marcos Vinícius)

E eu não me refiro à busca de um cabelo envolvente…

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Carente

Tchê #01 (por Marcos Vinícius)

Tchê #01 (por Marcos Vinícius)

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Jardineira

Moça Flor (por Marcos Vinícius)

Moça Flor (por Marcos Vinícius)

Ela tem uma flor amarela nos cabelos
Tem um brilho no olhar e um sorriso no rosto
Ela tem outras flores que são os meus desvelos
E o perfume de todas as flores espalhado em seu corpo

Moça flor… Tens o encanto e a cor
Teu olhar a brilhar e o sorriso na boca querendo chegar
Moça flor… Tens no beijo o desejo, o doce sabor
É o orvalho da flor que faz tua voz encantar?

O jardim da vida andava meio desprovido de riso
E então foi perfeito me encantar por um falso defeito
Agora mesmo de olhos fechados vejo em ti abrigo
Como é bom ter essa flor plantada em meu peito

Moça flor… Por mais forte que for
Deixa o receio pra lá, vem correndo abraçar
Moça flor… Deixa a saudade e lembra a paixão que chegou
Que sentiu

Moça flor… Será que palavra te alcançou?
Faço com ela uma mágica pra te tocar
Essa mágica é o perfume da flor
Que se abriu

Moça flor… Doce, meiga e singela
Quero ofertar-te essa flor tão bela
Moça flor… Ajo assim, pois esse é meu jeito
Quero ofertar-te essa flor em meu peito

« Marcos Vinícius »
ouvindo “Clara Moreno”

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A César o que é de César

Vim aqui dar a cara a tapa… Foi sem querer, mas plagiei uma ilustração da ilustradora abaixo, já pedi desculpas a ela por e-mail, mas como eu digo sempre: é fácil pedir palmas, assumir os erros é o que conta… Bom, vivendo segundo meu credo, abaixo está o plágio:

café (o plágio)

café (o plágio)

Feliz 2009 (imagem original por Samanta Flôor)

Feliz 2009 (imagem original por Samanta Flôor)

Agora eu digo: Espero que essa memória ainda não me bote na cadeia! Mas pra alguém que esqueceu o próprio aniversário uma vez eu estou melhorando… Agradeço à Samanta por ter me avisado antes de dar me um tapa, merecido, diga-se de passagem.

Samanta, mais uma vez, desculpa…

« Marcos Vinícius »
shame on me…

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Saudade

Saudade (por Samanta Flôor)

Saudade (por Samanta Flôor)

Gosto dessa ilustradora, mas não conhecia essa charge até ver no blog de uma amiga… Recomendo!
Samanta Flôor – Cornflake blog – http://www.cornflake.com.br/cornflake/blog/

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Foto em preto e branco

Tu foste pra mim como um breve sonho bom
Daqueles que deixam um leve sorriso ao acordar
E assim com o sonho, foste um doce ilusão
Pois não havia verdade pela qual me apaixonar

Foi bom enquanto durou, mas então chegou a hora de acordar
E agora as lágrimas lavam meu rosto limpando a dor de te amar
Não há mulher que precise de perfeição no homem que tem
Mas mentir e ser o que não é? Não é direito de ninguém

Levo os livros embora e deixo a foto em preto e branco
Boto o sorriso pra fora e jogo pra dentro meu pranto
Trago também os meus discos pra ouvir na tua ausência
Te deixo apenas o do Chico, pra tu lembrares da pena

Não verás minhas lágrimas, nem lerá minhas palavras
Já acendo a chama que queimará estas linhas
Mas ao chegar sentirás o cheiro respirará essa fumaça
Que ao entrar em teu peito ocupará o vazio que eu tinha

« Marcos Vinícius »
ouvindo “atrás da porta”…

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